De Minas para o Mundo e de Volta ao Coração do Café: Uma Prosa de Descoberta
- Maria Alice Maia

- Apr 30, 2025
- 3 min read
Olá, minha gente amiga, futuros companheiros de xícaras e conversas!
Hoje estou começando essa nova empreitada, e queria começar abrindo meu coração e contando um pouquinho da minha história pra vocês, de como nasceu essa vontade de prosear sobre nosso cafezinho por aqui no blog (ainda estou escolhendo o nome com carinho, mas o sentimento é o mesmo!).

Eu sou filha dessa terra abençoada, gente. Nasci e cresci lá pras bandas de Uberaba, em Minas Gerais, um lugar onde o cheiro de terra molhada e o mugido do gado fazem parte da gente desde cedo. Na minha infância, o café era aquele companheiro de toda hora: o coado forte pela manhã pra dar sustância pro dia, o cafezinho da tarde com um broa de fubá ou um pãozinho de queijo, sempre presente nas rodas de conversa na casa da minha avó. Era um café simples, forte, do jeito que a gente conhecia e gostava.
Mas a vida, ah, a vida dá cada volta na gente, né? Por obra do destino e com muita curiosidade na bagagem, acabei ganhando o mundo. Morei em tudo quanto é canto que vocês podem imaginar: de Uberaba fui para Belo Horizonte, São Paulo, Boston, Londres, Paris, Santiago, São José do Rio Preto, e até Rio de Janeiro! Conheci outras culturas, outras comidas, e claro, outros cafés! E foi nessas andanças, em lugares distantes, que comecei a provar uns cafés diferentes, com uns cheiros e uns gostos que eu nunca tinha sentido antes. Eram cafés mais suaves, alguns com um toque que lembrava fruta, outros com um docinho natural... uma novidade pro meu paladar acostumado ao café forte da roça.
E eu achava aquilo uma maravilha! Pensava: "Nossa, que café bom esse pessoal de fora faz!"
Até que um dia, numa dessas minhas viagens, proseando com gente que entendia muito de café, levei um susto, mas um susto bom, que me abriu os olhos. Descobri uma coisa que me deixou de queixo caído: muitos daqueles cafés incríveis que eu estava tomando lá fora, com tanto gosto, eram feitos com grãos... brasileiros! Sim, minha gente! Grãos colhidos com todo o esmero nas terras de Minas Gerais, do Paraná, da Bahia, do Espírito Santo... o nosso ouro mais uma vez indo pra fora!
Aquele dia, a ficha caiu. Eu pensei: "Uai, como assim? O nosso melhor café, a nata da nossa colheita, tá indo embora pra fazer bonito lá fora, e a gente aqui, muitas vezes, tomando um 'pó com sabor de café', cheio de mistura, de palha, de milho, como falado por aí em algumas notícias que a gente até vai conversar mais pra frente.
Aquilo mexeu comigo de um jeito... Senti uma pontinha de tristeza, de vergonha até. Nós, que vivemos no país do café, que temos essa riqueza debaixo do nosso nariz, tantas vezes bebendo um café que nem é café direito, enquanto o "filé mignon" da nossa produção vai encantar outros povos. Era como se a gente tivesse uma goiabeira carregada no quintal, com as goiabas mais doces, e ficasse chupando só a casca azeda que caiu no chão.
Foi aí que uma luz se acendeu dentro de mim. Pensei: "Não pode ser! A gente merece tomar café bom também! Café puro, o verdadeiro 'suco' do grão, sem enganação!"
Voltei pra casa com essa ideia fixa na cabeça. Comecei a fuçar, a perguntar, a estudar. Aprendi que o segredo não estava em máquinas caras ou em rituais complicados. Estava no grão de qualidade, na moagem feita na hora, na água na temperatura certa, no preparo com atenção e carinho. Coisas simples, que qualquer um de nós pode fazer em casa!
Me tornei uma "barista caseira", como dizem por aí. Minha cozinha virou um laboratório de aromas e sabores. Cada xícara era uma nova descoberta, um prazer renovado. E quanto mais eu aprendia e provava o café de verdade, mais eu queria que outras pessoas, especialmente a nossa gente simples do interior, gente como eu, gente da minha raiz, também tivessem essa alegria.
Foi assim que nasceu a ideia deste blog. Um cantinho pra gente prosear sem formalidade, pra trocar ideia, pra aprender junto a escolher e a preparar um café que seja, de fato, um presente da natureza. Pra gente resgatar o orgulho do nosso café brasileiro e trazer o melhor dele pra dentro da nossa própria casa.
Porque, no fundo, no fundo, o que eu quero é que cada um de vocês possa sentir a mesma felicidade que eu sinto ao tomar uma xícara de café puro, cheiroso e cheio de sabor, sabendo que está bebendo o que há de melhor na nossa terra.
Essa é um pouco da minha história com o café. Espero que ela inspire vocês a também buscarem o "verdadeiro café" e a transformarem cada cafezinho num momento especial!
Um abraço grande, com cheiro de café bom recém-passado!



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